quarta-feira, 15 de junho de 2016

Entre o Céu e o Inferno (Part3) — Simone Pesci

última parte da amostra .. 

Copyright ©2014 – Todos os direitos reservados
Produção Editorial: Simone Pesci
Capa: Adriana Brazil
Diagramação: Gisele G. Garcia
Revisão: Zidna Nunes
ISBN: 978-85-917319-0-9


Nenhuma parte deste livro poderá ser reproduzida, transmitida e
gravada, por qualquer meio eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros,
sem a prévia autorização, por escrito, da Autora.


3
DE VOLTA AO INFERNO

“Mestre das marionetes, eu controlo suas cordas;
Retorcendo sua mente e esmagando seus sonhos.”
(Metallica – Master OfPuppets)



Com o ar galanteador e sexy, Juan caminhou até o bar no canto da sala, sempre me olhando de esguelha com certa curiosidade. Eu me encontrava um tanto desconcertadae preocupada com o homem misterioso, gentil e ao mesmo tempo arrogante que estava à minha frente, porém, pude admirar sua beleza, seus braços fortes e torneados e seucorpo de dar inveja a qualquer PersonalTrainner. E assim que ele esticou um dos braços para pegar uma taça de vinho em seu pequeno e aconchegante bar, notei que possuía uma tatuagem na parte interna, próximo à axila. Eu conhecia aquele símbolo, mas não me lembrava de onde. E depois de alguns segundos olhando para aquela tatuagem, recordei-me sobre qual era o seu significado.

Aquele era o símbolo de uma facção criminosa muito conhecida, e ao perceber isso, senti um arrepio e angústia percorrer o meu corpo.

Eu não tinha uma sensação tão angustiante há muito tempo. Que eu me lembrasse, desde quando passara meus piores momentos, ainda na minha infância e adolescência.

Juan, em passos lentos e contínuos, caminhou em minha direção com um olhar fixo e sério pairando sobre mim. Meu corpo todo sofreu um tremor e eu não fui nem um pouco discreta ao demonstrar o que estava sentindo.

Está com medo de mim? indagou-me.

Não! respondi em tom firme, porém duvidoso.

Ele sorriu de canto, como se estivesse satisfeito em presenciar meu desconforto e medo. Então, aproximou-se e ergueu o braço em minha direção, oferecendo-me uma taça de vinho. Sem hesitar, peguei a taça fitando-o nos olhos e aguardando a próxima coordenada que ele com certeza me daria.

Sente-se aqui! indicou o local exato onde eu deveria me sentar Antes de qualquer coisa... Nada melhor do que uma boa conversa. pronunciou, com um sorriso sarcástico em sua face.
Conversa? Pensei. Aquilo era tudo o que eu não esperava de Juan.

Então, continuei em silêncio, agarrada a minha taça de vinho, que por sinal, era um vinho de ótima safra, porém com um sabor um tanto diferenciado de tudo o que eu já havia provado.

A. é o seu nome? Eu não me recordo de ninguém que tenha uma vogal como nome. Gostaria de saber o seu verdadeiro nome, sem rodeios. indagou-me com curiosidade.

Tal questionamento deixou-me com os pensamentos confusos e instantes depois, senti um leve desconforto e uma tontura indescritível.

Eu não estou me sentindo muito bem... Vou ao banheiro.

Ele, sem dizer nenhuma palavra e ainda com os olhos curiosos, consentiu com a cabeça e apenas apontou com seu dedo indicador a direção do banheiro. Por que eu estava sentindo aquela vertigem, tão subitamente? Eu não conseguia entender, pois havia ingerido até aquele momento, apenas parte da taça de vinho e estava passando muito mal. De fato, ao menos naquele instante eu não queria ser importunada. Eu precisava me recompor do mal súbito.

Ainda no banheiro, joguei água em meu pescoço e meus pulsos, a fim de que a sensação ruim e desconfortável fosse embora. Por alguns minutos fechei meus olhos e respirei fundo. Ainda assim, pedi para que alguma força superior ou divina fizesse com que aquele mal estar passasse e que eu ficasse sã. Minutos depois, ainda observando meu rosto apático no espelho, comecei a me sentir um pouco melhor. Todavia, o estremecimento persistia em meu corpo.

Tudo bem com você? Precisa de ajuda? perguntou Juan do outro lado da porta.

De imediato respondi:

Já estou melhor e logo sairei. falei, tentando parecer segura na resposta.

Minutos depois já estava fora do banheiro e de volta àquele mesmo sofá de couro preto aonde Juan me conduziu minutos atrás. Ele estava no bar, no canto da sala, preparando um novo copo de vinho.

Beba mais um pouco... Esse vinho é importado, de ótima safra e só o ofereço em ocasiões especiais. advertiu, ainda me encarando com mais curiosidade. E novamente seguiu em minha direção, entregando-me outra taça de vinho.
Vamos lá... Eu lhe fiz uma pergunta e não obtive a resposta pela qual esperava. Como eu já lhe disse uma vez, não sou homem de meias palavras e gosto de saber com quem estou lidando. Então, perguntarei novamente, qual é o seu nome? bradoucom seriedade inquisidora.

E naquele instante, tive a mesma vertigem, porém muito mais intensa do que a anterior. O que estava acontecendo comigo? Eu havia ingerido menos de duas doses de vinho! Era tudo muito estranho e preocupante, pois estava habituada a tomar porreshoméricos.

Ainda em silêncio e com uma vertigem horrenda, senti Juan retirar a taça de vinho da minha mão, colocando-a sobre uma mesa de canto ainda na sala. E instantes depois retornou em minha direção e segurou com força meus cabelos, levantando-me do sofá com brutalidade. Eu conseguia sentir sua vibração negativa bem acima da minha nuca. E sem delicadeza alguma, meus cabelos estavam envoltos entre seus dedos em um rabo de cavalo. E assim, ele os puxou com tamanha força, que minha cabeça inclinou-se violentamente para trás. E me encarando de perto, com os olhos em chamas, bradou:

Qual é o seu nome? É a última vez que pergunto isso e se eu souber que você não me falou a verdade, certamente se arrependerá.

Naquele momento, no auge do medo e tendo um flash de toda violência sofrida em minha vida, respondi:

Alex! A-les-san-draTo-le-do. pronunciei pausadamente.

Com um semblante satisfeito, segurou-me pelos cabelos e estapeou-me com força no rosto, dizendo:

Nunca mais ouse não responder quaisquer de minhas perguntas, sua garota imbecil! cuspia as palavras Você pensa que eu não conheço mulheres da sua estirpe? Você é uma vagabunda e eu já estou acostumado a lidar com mulheres assim. falava com os olhos em brasas.

Eu mal conseguia respirar, pois estava petrificada de medo. Mesmo assim, com os olhos arregalados, escutei o que ele ainda tinha a dizer:

O negócio é o seguinte. Eu vou lhe foder do meu jeito! Do jeito que eu gosto. E você? Ah, você vai ficar quietinha, sem falar uma palavra sequer. e apontou seu dedo indicador contra meu rosto Certamente você já deve estar acostumada com este tipode situação e há males que vem para bem, pois lhe recompensarei à altura.

Meu mundo parou naquele momento e os flashes de meu passado ficaram muito mais intensos. Onde eu havia me metido? Por que eu não segui minha intuição e deixei tudo passar em branco como se eu não houvesse comparecido àquele evento? Novamente, minha índole de menina má levou-me para o lado obscuro. Um lado que eu não presenciava há um bom tempo. Um lado do qual eu tinha pavor em apenas relembrar.

Ainda com as pernas bambas e vendo o mundo girar ao meu redor, senti em meu subconsciente, como se estivesse correndo e gritando. Por que fui tão teimosa? Por que como sempre achei que tinha controle sobre a situação?

Eu pensava que, depois de tudo que havia acontecido em minha vida, os meus momentos de terror, aquele cara lá de cima o tal Deus que por sinal eu não conservava nenhuma crença em sua existência, me daria alguma trégua. Naquele instante me veio em mente uma velha frase, conhecida por muitos, mas que eu não me recordava da origem: Depois da tempestade, vem a bonança. Mas, novamente eu me enganei. A bonança não chegou e por um momento indaguei-me em pensamento por que estou passando por tudo isto novamente?

Eu nunca me esqueceria de minhas amargas passagens de vida, e suplicava, para que nunca mais tivesse que passar por aquilo. Em pequenos fragmentos, assistia aos flashes de meus momentos de terror, ainda no passado, quando aquele homem pelo qual eu cultivava verdadeiro repúdio e fui obrigada a chamar de pai Antônio César Toledo me abusava.

Assim que retornei do torpor de sentimentos que me envolvia, deparei-me com Juan segurando meus cabelos com força, me machucando. Em seguida, fui empurrada de bruços contra o sofá de couro preto, onde minutos atrás estava sentada degustandoum ótimo vinho.

O vinho! Ó, céus... Tudo fazia sentido. Provavelmente ele colocou algo em minha bebida para que eu me sentisse vulnerável daquela maneira. Senti ódio de mim mesma por ser tão ingênua.

Gostosa e vagabunda, como eu aprecio! sussurrou em meu ouvido.

Ainda de bruços em cima do sofá, colocou-se de frente para mim também de joelhos e com os olhos famintos de raiva e desejo. Aquele olhar petrificou-me de medo e fez com que eu entrasse numa espécie de adormecimento de sentidos. Suas mãos pousaram em minha face com certa delicadeza, para logo depois, segurá-la com mais força.  Chegando bem próximo aos meus lábios, mordiscou-os com força descomunal, fazendo-me urrar de dor. Seus dedos nojentos desciam pelo meu rosto, alcançando meus seios, apertando-os com brutalidade e rasgando minha blusa ao mesmo tempo. Em seguida, voltou a acariciar minha face e estapeá-la cruelmente.

Vagabunda gostosa! Hoje você vai ter o que merece. falou, degustando meu pavor.

Lágrimas começaram a escorrer pela minha face e em profundo devaneio, chegava a entrever em alguns momentos, a imagem de meu pai postiço Toni, fundida à imagem daquele intelectual horrendo chamado Juan. Nãooo...Eu gritava internamente, em estado de completo horror.

Viver uma situação como aquela, era como ser protagonista da continuação de um filme de terror. Meus piores pesadelos vinham à tona e a única culpada de tudo, era eu.

Juan levantou-se e seguiu para o bar. Eu, sem nada dizer e ainda trêmula, apenas observei seus passos, logo percebi que ele estava pegando algo dentro de um dos baldes de gelo. Porém, não consegui identificar o que era.

Ele retornou em minha direção, degustando meu estado de pânico. Aproximou-se, e me levantou como havia feito minutos atrás. Ainda apavorada, apenas obedecia a tudo o que ele ordenava sem questioná-lo. Ele sorriu e logo abriu minha boca, inserindo dentro dela um comprimido. Sem pensar, engoli o tal comprimido. Minutos depois, passei a sentir alguns sintomas dos quais já era íntima, sendo eles: dilatação das pupilas, aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, alucinações auditivase visuais, confusão mental, pensamento desordenado, perda do controle emocional, dificuldade de concentração, náuseas e euforia alternada com angústia.

Eu conhecia muito bem aqueles sintomas e mesmo estando sobre o efeito deles, imaginava o que ele acabara de inserir em minha boca.

LSD, Alex! pronunciou Juan.

Notei que ele também havia ingerido um comprimido. Afinal, com quem eu estava lidando? Na verdade, eu já sabia a resposta, pois estava lidando com um homem tão cruel quanto aquele com quem fui obrigada a conviver por boa parte de minha vida.

Ainda confusa e sob o efeito daquele entorpecente, senti Juan arrastando-me para outro cômodo do apartamento, que por sinal, era o único quarto que havia naquele local.

Por favor, Juan... Não! supliqueiNovamente, ele agarrou-me com força pelos cabelos, forçando minha cabeça para trás e disse:

A brincadeira agora é a seguinte: tudo que o mestre mandar. E adivinha quem é o mestre? divertia-se com toda situação.

Meu coração disparou rumo ao inferno. E mesmo sob o efeito do alucinógeno que usara por tantas vezes e que já era íntima, naquele instante perdi o chão.

O mestre manda a vagabunda gostosa calar a boca! ordenava com tom ameaçador, em seguida estapeou-me fazendo com que eu caísse sobre a cama Piranha desgraçada! Você gosta disso não é? ele parecia estar incorporando um gênio mal.

Durante horas, vivenciei uma tortura da qual eu era velha conhecida e que por algum tempo estava apagada da minha vida. Lembrei-me da minha querida boneca She-rae também do meu amado amigo, e por alguns segundos, ainda em pensamento, clamei por eles. Porém, como das outras vezes, não fui atendida.

Aquele ser desprezível me tocava das piores formas possíveis, me ferindo interna e externamente. Eu enxergava à minha frente, dois rostos em um só corpo Toni e Juan malditos!

Está gostando sua cadela aproveitadora? Gosta de ser fodida com força? falou, degustando meu pavor.

E, ao mesmo tempo em que ele me machucava com todo o seu peso e toque brutal, também me golpeava com mais tapas, bofetões, beliscões e mordidas por todo o corpo.

Não se preocupe vadia! Depois lhe recompensarei para que você compre maquiagem de boa qualidade e volte a ser esse rostinho e corpinho bonitos. falou meticulosamente.

Maquiagem? Rostinho e corpinho bonitos? O que ele estava falando? Meu corpo e minha mente eram pura agonia. Ainda naquela situação, por um instante me veio à mente, o meu anjo amigo, de quem eu não tinha notícias há tanto tempo. Max, ondeestá você? Me ajude, por favor... Eu gritava em pensamento.

Contudo, Max não apareceu para me ajudar. E assim, continuei por horas a fio, como vítima daquela terrível tortura, até que Juan se cansou, e levantou-me pelos cabelos, arrastando-me pelo apartamento e me deixando no chão da sala. E antes de seguirpara o quarto sozinho, disse:

Não ouse sair daqui nessa situação! Se você fizer isso, sofrerá as consequências. ameaçou.

Eu sabia que o mais sensato a se fazer era não contrariá-lo, pois havia percebido o quanto ele era perigoso.

Deitada no chão da sala, nua, machucada e dopada, fechei meus olhos e pedi para que tudo acabasse logo, da mesma maneira que eu clamava, quando passava pela mesma situação com Toni. E antes mesmo de amanhecer, pude ouvir os passos de Juan adentrando a sala, sustentando um copo d’água em uma das mãos, e, com a outra posicionou-me sentada no sofá de couro preto.

Vou ser breve com você, cadela! Tenho uma família que amo e em hipótese alguma quero magoá-los. Portanto, vou ficar de olho e se você pensar em fazer alguma gracinha pagará caro por isso. e então, jogou o copo d’água em meu rosto Fiquena sua! Eu irei ao seu encontro muito em breve e quando isso acontecer... Espero que seja obediente. Vista-se e desça até a garagem, pois tem um carro aguardando-a para levá-la embora. Eu sei onde você mora e sigo todos seus passos a partir de agora.Portanto, seja uma garota esperta. disse, apontando seu dedo indicador sobre minha face.

Eu apenas escutei o que ele tinha a dizer, sem questionar.

Juan seguiu para o quarto, nos mesmos passos lentos e contínuos, como os de um alucinado. Levantei-me atordoada, vesti somente minha calça, o sobretudo e meu scarpin que ainda se encontravam no canto da sala. Rumo à minha casa tive a certezade que estava de volta ao inferno.



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**Os livros em formato físico (publicação independente) esgotaram-se; ele não está mais a venda em formato ebook. Contudo, estou procurando uma casa editorial para uma nova publicação em 2017. Aguardem!


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